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Conceito e organização do texto dissertativo


Herança da devastação

"Ao desperdiçarmos recursos naturais, não estamos nos comportando irresponsavelmente em relação a nossos filhos?"

Quando fecho os olhos à noite, onde quer que esteja, minha mente volta com frequência ao passado, à época em que o recém-construído Calypso flutuava sob o céu do Mediterrâneo. O barco foi meu lar durante a infância, embora nunca tivesse nele um local só para mim. Eu dormia num beliche durante todas as noites, às vezes com minha mãe, às vezes com meu pai, e algumas vezes dentro da gaveta da cómoda. O Calypso foi minha identidade infantil.
Tive sorte: o barco de meu pai foi minha base, o começo de meu futuro. À medida que o Calypso percorria os mares do mundo, ele passou a abarcar a filosofia de que a vida em nosso planeta é frágil, e sua beleza, embora aclamada, é perecível.
Meu pai imbuiu em mim a convicção de que não somos donos dos recursos do mundo, apenas seus administradores. Somos responsáveis pela proteção daquilo que legaremos a nossos sucessores.
Hoje, tento viver por essa cartilha, mas em minhas viagens me dou conta de quão raramente os adultos pensam nas gerações futuras. No mundo inteiro, vemos que pais parecem pouco se importar com a condição do planeta que seus filhos herdarão.
Poluímos os rios e mananciais que serão a fonte de água potável de nossos filhos, interferimos na camada de ozônio, que protege nossos filhos contra os perigosos raios solares. Pusemos em andamento o que parece ser um perigoso aquecimento da Terra, ameaçando nossos filhos com a seca e a calamidade. As crianças por nascer não podem se pronunciar, mas nem, por isso somos menos responsáveis por gerações que não conheceremos.
Atentem" para o caso, agora clássico, de Wezip Alolum. que tem a ver simplesmente com a lama. Alolum, habitante da aldeia de Jobto, na província de Madang, era dono de terras com matas nas quais havia um poço de lama. Durante gerações, sua família ganhou a vida trocando bolas de lama e potes de lodo barrento por alimentos. O poço, sua herança, fora-lhe confiado intacto por seus ancestrais.
Um dia chegaram estrangeiros, que lhe pediram permissão para abater árvores nas terras de sua família. "Você não precisa mais de lama, agora que tem dinheiro", disseram. Alolum hesitou, mas finalmente concordou.
Contudo, ele não percebeu que a companhia pretendia abater ou queimar todas as árvores, não deixando nenhuma para o replantio. Nunca lhe passara pela cabeça que a companhia trataria a terra sem o menor respeito por seu futuro. Não demorou para que todas as árvores desaparecessem, e, com a resultante erosão, o poço de lama fosse afetado.
Seu barro ficou arruinado, seco demais para ser utilizado. Pouco depois, o dinheiro de Alolum acabou. Sem lama pela primeira vez na história de sua família, ele estava pobre.
Alolum procurou a companhia florestal, exigindo que o reembolssasse pela perda do poço, mas quem paga compensação por lama? No entanto, para Wezip Alolum, o poço de lama representava o capital herdado por seus antepassados.
Ele fora dono e administrador, mas agora não tinha nada para deixar para seus filhos, e o ciclo de sua família fora rompido. Alolum foi uma vítima da falta de visão ao trocar recursos por dinheiro.
Mas o que dizer de nós? Ao desperdiçarmos recursos naturais, não estamos nos comportando irresponsavelmente em relação a nossos filhos? Quando perceberem que lhes legamos um sem-número de perigos ambientais, um inventário de recursos completamente exaurido, o que pensarão de nós, a despeito da nossa tendência a lhes comprar o que há de melhor ao nosso alcance?
O Calypso foi mais que um presente de infância. Ele " continua sendo uma herança para mim, um lembrete de continuidade e o ideal de herança combinada com responsabilidade. Ele é um documento vivo, minha Constituição do amanhã.
Talvez, se modificarmos nossos modos, uma Constituição global proteja um dia o ar, a água, as florestas e a vida selvagem - nossa herança natural - para futuras gerações. Nossos filhos talvez a escrevam. Jean-Michel Cousteau.

Fonte: G1-cp2 2010.

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Em "A devastação, uma herança para as futuras gerações", o termo sublinhado exerce a função sintática de aposto explicativo. Dos trechos destacados no texto, qual deles tem essa mesma função sintática?

Modelo de redação sobre cooperação

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Cooperação gerando satisfação

A canção "Trem das Onze" de Adoniran Barbosa narra de maneira primorosa como o trem era presente na vida do povo em épocas passadas. Hoje, ao contrário do que escreve a música, tal meio de transporte apresenta-se, para muitos, somente em parques de diversão (trem-fantasma) ou brinquedos de criança. 0 transporte ferroviário tornou-se obsoleto, algo que não poderia ter ocorrido num país como o Brasil, onde tal sistema apresenta vantagens que o colocam como prioritário para suprir as atuais necessidades nacionais.
O Brasil destaca-se no cenário internacional como grande exportador de minérios, soja, café, laranja, carne e muitos outros primários. Por sua dimensão continental, possui pólos produtores tanto no litoral como no interior afastado do oceano. Nenhum meio de transporte supriria as necessidades do agronegócio de exportação como o ferroviário, pois é de baixo custo, transporta grandes quantidades, tem manutenção mais barata que a do rodoviário e não depende de fatores climáticos como o fluvial. O desperdício também é muito menor, aumentando os ganhos. Mas não é somente às indústrias e produtores agropecuários que tal meio é vantajoso.
A população urbana sofre com a dificuldade de locomoção, principalmente em metrópoles como São Paulo, onde perdem-se horas em congestionamentos e centenas de reais em conserto de carros danificados pelas péssimas condições das ruas. O automóvel é péssimo para suprir a necessidade coletiva, enquanto o trem (seja de superfície ou metro) é mais que vantajoso, pois é rápido, barato, pouco poluidor e transporta muitas pessoas. Neste caso, o papel do Estado é fundamental, pois em regiões já ocupadas são necessárias grandes obras e desapropriações. Sendo a capacidade dos diversos setores públicos limitada, a melhor solução seria a aliança entre o público e o privado através das PPPs (parcerias público-privadas). Os riscos de má gerência ou corrupção são menores em tais parcerias.
A ação do governo brasileiro (e dos estaduais e municipais também) no setor público nunca foi louvável, salvo certas exceções. Desde a realização de projetos faraónicos como a Transamazônica à má conservação das estradas federais, a ação é pouca ou mal feita. A opção pelo transporte rodoviário-também não foi boa, pois grande parcela da população (principalmente as mais pobres de cidades médias e pequenas) não recebe muitos benefícios da construção de estradas. A união da força do alcance do Estado com a boa estratégia da iniciativa privada poderia integrar os diversos setores e regiões do país com a escolha de trens como transporte majoritário. Concessão é um método eficaz de participação governamental.
Outra maneira eficaz do governo participar da reestruturação do sistema viário é criando e aperfeiçoando as atuais agências reguladoras. Afinal, se um governo atuando sozinho pode ser corrupto, uma empresa pode ser abusiva. A fiscalização por meio da opinião dos usuários é sem dúvida a melhor maneira de se aperfeiçoar qualquer sistema. Com os papéis de cada parte definidos, haveria poucos entraves para a realização de qualquer projeto.
Um migrante viajando à distante terra natal para visitara família; um empresário exultante ao constatar o corte dos custos no transporte de cargas; um trabalhador, seja da construção ou da informática, passando mais tempo com a família por não levar mais 3 horas para ir e voltar do trabalho. São cenas diversas, masque poderiam todas serem concretizadas por maior implantação do sistema ferroviário. Por diversas divergências, nem o setor público nem o privado efetivamente implantaram tal sistema no país inteiro, motivo do atua! sucateamento de grande parte dos trens. Uma cooperação maior entre tais partes, pensando também sempre no povo é, sem questionamentos, o melhor caminho para se resolver a questão dos transportes no país. Talvez então fosse possível que o personagem de Adoniran não ficasse preocupado, pois a qualquer horário da noite haveria trens indo para toda a parte da cidade, inclusive para sua própria casa.

Análise da redação no vestibular

DESVIANDO DE ARMADILHAS: a dissertação, considerada acima da média pelos avaliadores, é um exemplo de como evitar os riscos descritos neste capítulo com o bom uso dos recursos apresentados nos capítulos anteriores. Apenas uma expressão poderia ser apontada como lugar-comum, por encerrar alguma tendência demagógica: "pensando também sempre no povo". Há também um caso de redundância de vocabulário na expressão "por diversas divergências", que poderia ter sido contornada com uma construção como "por uma série de divergências". Isso, no entanto, não compromete essa redação rica em argumentos e muito bem estruturada. Confira:

• O bom aproveitamento da coletânea, citando os vários problemas do transporte no país (como a falta de ferrovias para escoara produção) e papéis já exercidos pelo Estado, evitou que o candidato fugisse do tema.

• A riqueza de argumentos (um país exportador precisa de ferrovias, os grandes centros urbanos precisam de uma alternativa ao caos do trânsito, para citar apenas alguns) evitou o uso de clichés.

• O candidato permitiu que ele apresentasse seus argumentos de forma clara e sem rebuscamentos. Com frequência, frases muito extensas ou confusas demonstram falta de conhecimento do assunto tratado.

• A proposta de diálogo e cooperação (parceria entre os setores público e privado) como solução para os problemas apresentados foi uma decisão sábia que conferiu sobriedade ao texto, evitando radicalismos e panfletagem.

Redação anulada – O que fazer?

Veja neste artigo um modelo de redação bastante complicado. No exemplo de redação (anulada) você verá uma série de erros que podem comprometer significativamente sua nota já que a redação é responsável por boa parte da sua média no vestibular e , no Enem, ela é o diferencial na nota final do aluno.

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(sem título)

Meios de transporte são essenciais para nossa atual sociedade brasileira. Recurso indispensável para o proletariado dar continuidade a sua vida.
Os ônibos são os principais meios de locomoção da classe média por isso merecem mais
atenção. O estado deveria interver nos meios de locomoção (no caso os ônibus) tomando posse e organizando de modo que haja um salário mais justo e um novo valor nas taxas tantos de estudantes que por sua condição devem usufluir de taxas mais baixas como aqueles que possuem uma condição financeira menor. Nossa atual rede de ônibus é privada o que torna o preço das passagens altos pois devem satisfazer o lucro de seus empreendedores, por isso o preço das passagens está aumentando desenfreadamente.
O lucro dessas redes privadas é extremamente alto e mesmo que passes para estudantes se tornassem gratuitos ainda esses empreendedores teriam lucro.
O fato é que a classe de menor condição financeira a que está isolada nos morros, junto
a classe mais baixa é quem arca ou seja paga as passagens da classe um pouco mais favorecida a média. Por isso seria justo se a rede privada de ônibus deixasse de pertencer a empresários e passasse ser totalmente do estado, afim que esse fizesse a classe que realmente necessita desse meio pudesse usufluir desse sem tantos custos. Uma vez que classe alta não necessita de tais meios.
Sea população da classe média quisercontinuara usufluir dos ônibus é bom lutar para que essa rede de transporte se torne totalmente do estado, antes que os empresários queiram continuar recheando seus bolsos e as pessoas tenham que trabalhar só para pagar seu transporte.
Numa sociedade as pessoas precisam em primeiro lugar ter alimento (subsistência), saúde, cultura e lazer. É inadmissível trabalhar apenas para pagar o transporte que segundo lei é direito de todos o transporte público. Como vemos não é o que anda acontecendo, enquanto não fizermos nada para tornar a rede de transporte privado em pública continuaremos nos subímetendo a aumento de taxas absurdos e começaremos a trabalhar apenas para pagar o transporte...

Análise da redação

FUGA DO TEMA: esta redação foi anulada, segundo os avaliadores da Unicamp, por fugir totalmente ao recorte temático e também por não indicar nenhum uso da coletânea de textos oferecida.
A proposta pedia ao vestibulando gue observasse os problemas no setor, em grande parte abordados na coletânea, apontasse meios de transporte adequados à atual realidade e discutisse tanto sua viabilidade quanto o possível papel do Estado no processo. 0 que o candidato fez - aliás, com uma argumentação incoerente e um texto com muitas incorreções gramaticais - foi apenas defender isoladamente a estatização do sistema de transporte de ônibus. Tratou-se de uma abordagem redutora do tema.

ARGUMENTAÇÃO FRÁGIL: o autor optou por defender o ponto de vista de que o setor privado, por almejar somente o lucro, cobra preços abusivos pelas passagens de ônibus, dificultando o acesso das classes menos favorecidas. Vários equívocos, incluindo vícios de linguagem, foram cometidos ao longo do texto.

Radicalização – O candidato fez uma afirmação radical, sem apoiá-la em argumentação sólida: "a classe mais baixa é quem arca ou seja paga as passagens da classe um pouco mais favorecida a média". No trecho, não se explica porque a classe baixa pagaria pelas passagens da classe mais favorecida.

Lugar-comum – O texto é iniciado por um lugar-comum: "Meios de transporte são essenciais para nossa atual sociedade brasileira". 0 candidato demonstra desconhecimento ou insegurança em relação ao tema ao fazer uma afirmação óbvia (afinal, os meios de transporte são essenciais para qualquer sociedade contemporânea).

Clichê - "Recheando seus bolsos" é uma frase batida que empobrece a argumentação - além de beirar a radicalização, por demonstrar evidente hostilidade contra pessoas que lucram com uma atividade económica.

Redação dissertativa sobre uso de animais em pesquisas

Este é um exemplo de redação bastante útil para estudar para provas como a do Enem. Aqui você poderá treinar e observar as diferentes maneiras de abordar um assunto bem como as estratégias argumentativas mais eficazes para desenvolver uma boa redação dissertativa.

Exemplo de boa redação dissertativa no vestibular

(sem título)

Tão antiga quanto a relação homem-homem é a relação entre homens e animais. Envolveu, ao longo da história, vários aspectos: desde o antagonismo caça/predador até uma afetividade exagerada em relação aos bichinhos criados em casa. O ponto mais polémico dessa relação, contudo, surgiu recentemente, com o uso de animais em experimentações científicas.
A questão suscita importantes questionamentos sobre a conduta humana em relação às outras formas de vida. É bem verdade que existem fundamentos jurídicos para a proteção dos animais, como o artigo 225 da Constituição, no qual se baseia a Lei de Crimes Ambientais, que criminaliza abusos, maus-tratos e mutilações feitos contra animais, mas é também sabido que, como em tantos outros casos, as normas não são devidamente observadas.
Nesse cenário, vários grupos se organizam a fim de reivindicar os direitos dos animais. Argumentam em favor da igualdade do direito à vida, independentemente da espécie a que o organismo pertença. Sob este ponto de vista, o uso de animais em experimentos científicos é um sacrilégio. Contra ele, esses grupos se mobilizam e conseguiram, inclusive, a aprovação de uma lei que proibia a prática na cidade do Rio de Janeiro. Do outro lado, contudo, estavam os cientistas, que recorreram aos deputados federais para forçar a aprovação da lei que regulamentaria o uso científico de animais. Em toda a polémica, interessa observar que a posição do homem tem sido, sempre, a de hierarquizara vida, colocando a si mesmo no topo e subordinando toda a natureza aos seus interesses. A denúncia dessa postura pelas organizações de proteção animal é bem justa. O que lhes escapa, contudo, é que adotam linha similar: defendem baleias, focas e golfinhos, mas não se preocupam com mexilhões ou planarias, por não se identificarem com eles. Sinal claro de que, nem para os defensores dos animais, todos os seres têm o mesmo valor.
É importante, evidentemente, reconhecer o direito à vida de outros animais e respeitá-los, não lhes infligindo-sofrimento desnecessário. A questão das cobaias, entretanto, exige análise mais profunda. Vetando seu uso, a produção de vacinas seria prejudicada e muitas das pesquisas, a exemplo dos estudos com células-tronco e sobre terapias contra o câncer, seriam paralisadas. É sensato abandonar projetos que abririam tantas perspectivas para a cura e a prevenção de doenças? Nesse impasse, a solução momentânea foi dada pelo Senado, com a aprovação da Lei Arouca. Ela cria o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, responsável por credenciar instituições para criação e utilização de animais destinados a fins científicos, por estabelecer normas para seu uso e cuidado e por inspecionar a introdução de técnicas alternativas, que dispensem a aplicação das cobaias animais.
A medida é o ponto de equilíbrio entre as duas posições antagónicas. Bastante razoável, restringe o uso de cobaias animais às situações de interesse e necessidade e estimula a adoção de novos mecanismos, sem impô-los de maneira abrupta, o que causaria vários transtornos à atividade científica.
Parece que, dessa forma, resgatou-se a valorização da Baleia, de Graciliano Ramos, sem deixar para trás o menino maior e o menino menor, merecedores, também, de uma vida melhor, que pode ser propiciada pelos avanços da ciência.

(Fonte: Unicamp)

Análise da redação

ORIGINALIDADE: o candidato introduz de forma interessante a complexidade envolvida nas controvérsias sobre o uso de animais em experimentações científicas: aborda primeiramente a questão de um ponto de vista histórico, demonstrando de maneira eficaz que a relação entre o homem e o animal existe desde sempre e pode ser sintetizada emblematicamente, de um lado, pela atitude predatória e, de outro, por um amor excessivo aos animais domésticos. A dissertação trabalha de forma madura a dificuldade de se estabelecer um limite entre o bom uso e o mau uso dos animais pelo homem, levando sempre em consideração que essa é uma decisão histórica e política. Nesse sentido, o texto traz como fecho argumentativo a criação do Concea, que, sem pretensão de resolver definitivamente o problema, se coloca como um razoável fórum de decisão, análise e reflexão dos inúmeros pontos a serem levados em conta na regularização e normatização do uso de animais em experimentação.

CONCLUSÃO: o último parágrafo aponta para um olhar equilibrado e cuidadoso sobre tema tão delicado. Evoca a "Lei Arouca" como regulador "bastante razoável" para os casos mencionados ao longo do texto, fechando, de modo coerente, suas argumentações e seus questionamentos. Antes de arrematar a redação, encontrou ainda uma oportunidade para ilustrá-la a partir da lista de leitura obrigatória e mencionou o romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Demonstrou sensibilidade ao associar os meninos sem nome do enredo, donos da cadela chamada Baleia, ao debate "sacrifício de animais/benefício do homem".

Veja abaixo este modelo de redação que pode ser usado na hora de produzir seus textos dissertativos.

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Como fazer um cartão postal – Redação

O cartão postal é um dos diversos géneros textuais usados no cotidiano com diferentes finalidades, assim como o cartão, o bilhete, o convite, o telegrama, a carta pessoal ou familiar, o e-mail.

Nesses textos cotidianos, há o remetente, aquele que envia a mensagem, e o destinatário, aquele que recebe a mensagem enviada. Nesse cartão-postal, o remetente é a mãe, Ana, e o destinatário, o filho, Lucas.

cartao-postal

A linguagem varia conforme a situação estabelecida entre os interlocutores. A linguagem formal segue a norma culta e é usada em situações formais, como uma entrevista para obter um emprego. A linguagem informal apresenta uma estrutura mais solta, em que é possível usar até mesmo gírias e repetições, e é usada em situações informais, como um diálogo entre amigos.

A língua oral pode ser formal ou informal, dependendo do contexto em que se dá a comunicação. Um telejornal, por exemplo, em geral apresenta linguagem formal. Já a narração de um jogo de futebol ou de corrida de automobilismo apresenta linguagem informal.

Observe, no cartão-postal da página 14, que a linguagem é informal; trata-se de uma correspondência entre pessoas conhecidas.

O cartão-postal é normalmente usado por turistas que, para expressar suas impressões sobre o lugar onde estão, enviam uma mensagem curta a familiares ou amigos.

Na frente do postal, pode haver uma ou mais imagens do(s) lugar(es) turístico(s), para que se tenha uma ideia do local visitado. No verso do postal, coloca-se o endereço do destinatário e a breve mensagem, iniciada pelo vocativo ("Querido Lucas"). Segue-se um curto relato sobre os passeios realizados ou novas experiências vividas. No final, devem constar a assinatura do remetente ("Sua mãe, Ana") e a data.

Convites para lançamentos de livros, aberturas de exposições de arte, promoção de produtos, inauguração de grandes estabelecimentos comerciais, etc. também podem ter a forma de um cartão-postal. É comum, nesses casos, colocar na frente do postal uma ilustração alusiva ao acontecimento ou produto*anunciado. Por exemplo, a imagem de uma peça de roupa, de uma obra de arte, a capa de um livro, etc.

Leia as propostas de produção de textos e escolha uma delas.

1ª proposta

Imagine que você foi passar as férias na casa de um(a) amigo(a). O lugar é bem diferente de onde você mora.

Redija esse cartão-postal para um familiar ou amigo(a), contando os encantos turísticos do local. Comente também sobre as pessoas que você conheceu.

Troque seu texto com um(a) colega. Leia o texto escrito por ele(a) e faça sugestões, por escrito, se achar necessário. Verifique se ele(a) colocou o nome e o endereço do remetente e do destinatário.

2ª proposta

Recorte uma imagem da sua cidade e cole na frente do cartão-postal. No verso, descreva as belezas naturais e os lugares interessantes para se conhecer.

Troque seu texto com um(a) colega. Leia o texto escrito por ele(a) e faça sugestões, por escrito, se achar necessário. Verifique se ele(a) colocou o nome e o endereço do remetente e do destinatário.

Análise de textos verbais e não verbais

Esta é uma atividade que usei numa de minhas aulas de produção de texto para desenvolver a análise de textos verbais e não verbais. Nela os alunos eram instigados a pensar nos textos, nos recursos expressivos usados e, a partir dessa análise e de inferências, responder as questões propostas. Use para montar materiais para seus alunos ou mesmo para discutir em sala de aula o tema apresentado aqui. na prova do Enem é claro que esses conhecimentos ajudarão bastante.

Atividade de classe para Produção de Texto

Leia o painel de textos a seguir:

Texto 1

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Texto 2

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Texto 3

Quando você for se embora,

moça branca como a neve, me leve.

Se acaso você não possa

me carregar pela mão,

menina branca de neve,

me leve no coração.

Se no coração não possa

por acaso me levar,

moça de sonho e de neve,

me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa

por tanta coisa que leve

já viva em seu pensamento,

menina branca de neve,

me leve no esquecimento.

Moça de sonho e de neve,

me leve no esquecimento,

me leve.

1. O texto 1 é organizado em sete cenas.

a) Por que, supostamente, o marido se levantou da cama, na 2ª cena?

b) O que sugere a expressão da mulher, na 5ª cena?

c) Compare a expressão do marido na 1ª e na 6ª cenas. Em que diferem?

d) Levante hipóteses: Aonde o marido está indo? O que teria acontecido no apartamento de cima?

2. O texto "Cantiga pra não morrer" diz respeito a relacionamento amoroso.

a) Que tipo de situação é imaginada pelo eu lírico do texto?

b) Que apelo o eu lírico faz à "moça branca como a neve"?

c) Dê ao menos duas interpretações ao título do texto.

3. O texto 3 é uma obra do pintor brasileiro Almeida Júnior (1850-1899). Nela, uma mulher olha uma fotografia. Observe o título do quadro e responda:

a) Que sentimentos a postura física da mulher e sua expressão facial expressam?

b) Por que a mulher está vestida de negro?

c) De quem você acha que é a foto?

4. Compare os três textos.

a) O que eles têm em comum?

b) Em qual(is) dos textos o fim do relacionamento provoca senti­mento de tristeza, saudade ou dor?

c) Em qual(is) deles provoca alegria?

5. Há textos que são constituídos apenas de imagem, outros apenas de palavras, outros de palavras e imagens.

a) Quais dos textos são constituídos basicamente de imagens?

b) Qual é constituído apenas de palavras?

c) Qual deles sugere a presença da música, por meio de notas musicais?

Temas para exercícios de redação

Estes são cinco temas que podem ser trabalhados nas aulas anteriores ao Enem como forma de estimular o pensamento crítico e de praticar a escrita. Quem está se preparando para o Enem deve, sim, usar todos os recursos que puder ao longo dessa fase que culminará na prova no final do ano. Uma das maneiras de revisar os conteúdos e que tenho indicado para meus alunos são as aulas do descomplica. Alguns me perguntam se o Descomplica funciona mesmo e posso afirmar que, mesmo sendo professor, tenho usado para preparar melhor minhas aulas. Caso queira conhecer, clique no banner abaixo.

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1. Agora vamos treinar. Sugerimos cinco temas para os quais você deverá compor títulos (um para cada um deles). Lembre-se de que este título deve ser bem menor que o tema dado:

a) Alguns segmentos da produção agrícola voltam-se atualmente para o mercado externo, alcançando considerável sucesso.

b) Os conflitos que ocorrem entre judeus e algumas nações da Península Arábica contribuem para abalar ainda mais a frágil estabilidade daquela região.

c) Neste país seria necessário que promovessem a alfabetização de adultos, para que eles se sentissem mais integrados à comunidade.

d) Os movimentos grevistas são fruto da insatisfação de uma grande parcela de nossos trabalhadores.

e) A construção de uma sociedade democrática é dever de todo cidadão brasileiro.

Você percebeu que no exercício anterior tínhamos o assunto, uma delimitação e um posicionamento pessoal acerca do assunto? É assim que vamos montar o parágrafo-padrão no próximo exercício.

2. Neste segundo exercício, você deverá compor temas para os títulos fornecidos. Não se esqueça de que eles devem ser orações completas (incluindo ao menos um verbo), nas quais você fará uma afirmação, como já foi mostrado anteriormente:

a) O vestibular e o despreparo da maioria dos jovens

b) O trabalho e a realização pessoal

c) A inflação

d) A importância do lazer

e) Nossa nação e a dívida externa

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Como a redação do Enem é avaliada

A nota da redação, variando entre 0 (zero) e 1000 (mil) pontos, será atribuída respeitando-se os seguintes critérios de avaliação:

  1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
  2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das varias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
  3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
  4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
  5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Como trabalhar o tema da redação do Enem

fundaplub-medo-vestibular-668x313Nos últimos anos, a proposta de redação do Enem tem sido apresentada da seguinte maneira na prova:

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O MOVIMENTO MIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos.

Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Note, então, alguns outros pontos interessantes, além daqueles que já trabalhamos:

  • Em geral, há textos motivadores para nos auxiliar a entender o tema apresentado e a abordá-lo de forma criativa.
  • Devemos utilizar os conhecimentos construídos ao longo de nossa formação, construindo uma visão crítica sobre a questão em análise.
  • É exigida uma proposta de intervenção (que respeite os direitos humanos) para aquele problema apresentado.

Para que construamos uma redação completa, é fundamental adotarmos algumas estratégias. Trata-se de algo fundamental para que percamos "o medo do papel em branco", tão terrível para a maior parte dos candidatos:

  • Se a redação do Enem parte de uma situação-problema, é fundamental, primeiro, definir o problema da questão. Nem sempre é fácil conseguir isso. Pense, por exemplo, num tema como o da prova anulada 2009: "A valorização do idoso". É fácil perceber que a expressão "valorização do idoso" não traz, em si, nenhum problema explícito. A análise da coletânea, no entanto, permitia que deduzíssemos certo descaso da sociedade com a população que pertence a esse segmento. Portanto, a visão que o candidato deveria ter sobre o tema seria sobre a dificuldade da valorização do idoso.
  • A partir daí, cabe-nos pensar nas origens desse problema. Que razões de ordem histórica, social, econômica, política e cultural poderiam nos ajudar a compreender a existência desse problema? Nesse momento, é muito importante que o candidato acesse os conhecimentos desenvolvidos ao longo de sua formação acadêmica para dar profundidade e consistência à reflexão produzida.
  • Também é muito importante investigar as consequências dessa questão, entendendo, assim, como o ser humano tem reagido a esse problema, refletindo sobre as limitações que ele provoca e sobre a relevância social de sua eliminação.
  • Ao compreendermos a questão em análise, podemos construir uma proposta de intervenção, buscando alguma forma viável (concreta) de amenizar ou eliminar as dificuldades impostas por ela. Ninguém espera que, em apenas uma hora, o candidato seja capaz de desenvolver um projeto detalhado de ação: busca-se, na verdade, verificar se há no redator do texto uma postura ativa e crítica em relação à situação-problema apontada.

Atenção:
Não se deve, em hipótese alguma, copiar trechos da coletânea na redação. Ela deve servir como fonte de reflexão e inspiração, apenas.

O tipo de tema na redação do Enem

Segredos do Enem (12)As características específicas do modelo de cobrança do Enem revelam bastante sobre o tipo de abordagem que é exigida do candidato. No edital publicado no começo deste ano, o Inep manteve sua referência tradicional ao tipo de produção textual a ser exigido do candidato.

Como nos anos anteriores, a proposta da Redação do Enem será elaborada de forma a possibilitar "que os participantes, a partir de uma situação-problema e de subsídios oferecidos, realizem uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social ou cultural, produzindo um texto dissertativo-argumentativo em prosa".

Já vimos as características fundamentais do texto dissertativo-argumentativo nas aulas anteriores. O que, então, poderíamos apontar como especificidades do Exame Nacional do Ensino Médio?

Perceba que será solicitada ao candidato uma reflexão escrita sobre tema de ordem política, social ou cultural, a partir de uma situação-problema. Isso significa que sua redação versará sobre algum assunto relevante, presente de forma objetiva (concreta, visível) no seu cotidiano, exigindo de você uma postura crítica. A análise de alguns dos temas não deixa dúvida sobre isso. Veja:

  • 1998: "Viver e Aprender"
  • 1999: "Cidadania e participação social"
  • 2000: "Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?"
  • 2001: "Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?"
  • 2002: "O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?"
  • 2003: "A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?"
  • 2004: "Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?"
  • 2005: "O trabalho infantil na realidade brasileira"
  • 2006: "O poder de transformação da leitura"
  • 2007: "O desafio de se conviver com a diferença"
  • 2008: "Preservação da Floresta Amazônica"

Atenção:
Nesse ano de 2008, a redação do Enem fugiu do padrão apresentado em todos os outros anos. Além da proposição de tema, a prova sugeria ao candidato três possibilidades de ação, para que o candidato ressaltasse suas possibilidades e as limitações:

- a suspensão completa e imediata do desmatamento na Amazônia até a identificação de áreas exploráveis de maneira sustentável;
- o pagamento a proprietários de terras para que deixem de desmatar a floresta, utilizando-se recursos financeiros internacionais;
- o aumento da fiscalização e a aplicação de pesadas multas àqueles que promoverem desmatamentos não autorizados.

  • 2009 (prova válida): "O indivíduo frente à ética nacional"
  • 2009 (prova anulada):"Valorização do idoso"
  • 2010: "O trabalho na construção da dignidade humana"
  • 2011: "Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado"
  • 2012:“Movimento imigratório para o Brasil no século XXI"

Dissertação – o que é, como fazer?

Um texto é dissertativo quando tem como centro a ideia. É, pois, argumentativo, opinativo. Geralmente é o que se cobra em concursos públicos, tanto em interpretação de textos quanto na elaboração de redações. Divide-se em:

1) Introdução

Período de pouca extensão em que se apresenta uma ideia, uma afirmação que será desenvolvida nos parágrafos seguintes. É nele que se localiza o chamado tópico frasal, aquele período-chave em que se baseia todo o texto.

2) Desenvolvimento

Um ou mais parágrafos de extensão variada, de acordo com a necessidade da composição. É nele que se argumenta, discute, opina, rebate. É o corpo da redação.

3) Conclusão

Parágrafo curto com que se encerra a descrição. É também chamado de fecho. Há várias modalidades de conclusão: resumo da redação, citação de alguém famoso, opinião final contundente etc. Veja exemplo de trechos dissertativos.

“De muitas maneiras, o emprego de alto funcionário público é um sacerdócio, porém pior, pois é exercido sob os olhares atentos da imprensa. O cidadão comum, tornado autoridade, transforma-se, do dia para a noite, numa espécie de âncora de noticiário. Não deve gaguejar, improvisar nem correr riscos em temas polêmicos.”

(Gustavo Franco, na Veja 1782)

“Entende-se por juízo um pensamento por meio do qual se afirma ou nega alguma coisa, se enuncia algo; serve para estabelecer relação entre duas ideias. Emitir um juízo é o mesmo que julgar. A inteligência opera por meio de juízos; raciocinar consiste em encadear juízos para tirar uma conclusão.”

(Carlos Toledo Rizzini, Evolução para o Terceiro Milênio)

“Insistamos sobre esta verdade: a guerra de Canudos foi um refluxo em nossa história. Tivemos, inopinadamente, ressurreta e em armas em nossa frente, uma sociedade velha, uma sociedade morta, galvanizada por um doido.”

(Euclides da Cunha, Os Sertões)

Observações

imagem-redução da maioridade penala) Um texto, às vezes, apresenta tipologia mista. Uma narração, por exemplo, pode conter traços dissertativos ou descritivos. Aliás, isso é frequente. Não há rigor absoluto.

b) Se destacamos apenas um trecho de uma determinada obra, compreensivelmente todos os elementos que caracterizam sua tipologia podem não estar presentes. Por exemplo, os três trechos dissertativos apresentados, sendo parágrafos isolados, não contêm introdução, desenvolvimento e conclusão, o que não impede que os classifiquemos daquela forma.

c) O tema costuma sugerir uma determinada tipologia, mas também aqui não há nada de absoluto. Digamos que se queira escrever sobre um passeio. A princípio, pensa-se numa narração. Porém, o autor pode prender-se a detalhes do lugar, das pessoas, do transporte utilizado etc. Teríamos então uma descrição. Por outro lado, ele pode falar da importância do lazer na vida das pessoas, para a sua saúde física ou mental etc. Dessa forma, desenvolvendo ideias, cairíamos em uma dissertação.

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Tutorial sobre tipos de discurso na narração

me-Gramática, leitura e produção de textosOs personagens que participam da história evidentemente falam. É o que se conhece como discurso, que pode ser:

1) Direto

O narrador apresenta a fala do personagem, integral, palavra por palavra. Geralmente se usam dois pontos e travessão.

Ex.: O funcionário disse ao patrão:

- Espero voltar no final do expediente.

Rui perguntou ao amigo:

- Posso chegar mais tarde?

2) Indireto

O narrador incorpora à sua fala a fala do personagem. O sentido é o mesmo do discurso direto, porém é utilizada uma conjunção integrante (que ou se) para fazer a ligação.

Ex.: O funcionário disse ao patrão que esperava voltar no final do expediente.

Rui perguntou ao amigo se poderia chegar mais tarde.

Obs.: O conhecimento desse assunto é muito importante para as questões que envolvem as paráfrases. Cuidado, pois, com o sentido. Procure ver se está sendo respeitada a correlação entre os tempos verbais e entre determinados pronomes. Abaixo, outro exemplo, bem elucidativo, mas você poderá ver outros artigos sobre o assunto lá no site maiseducativo.com.br.

Minha colega me afirmou:

- Estarei aqui, se você precisar de mim.

Minha colega me afirmou que estaria lá se eu precisasse dela.

O sentido é, rigorosamente, o mesmo. Foi necessário fazer inúmeras adaptações.

3) Indireto livre

É praticamente uma fusão dos dois anteriores. Percebe-se a fala do personagem, porém sem os recursos do discurso direto (dois pontos e travessão) nem do discurso indireto (conjunções que ou se).

Ex.: Ele caminhava preocupado pela avenida deserta. Será que vai chover, logo hoje, com todos esses compromissos!?

Principais características da narração

me-Velocidade máxima - exercício de interpretaçãoQuando o texto está centrado no fato, no acontecimento, diz-se que se trata de uma narração. Palavra derivada do verbo narrar, narração é o ato de contar alguma coisa. Novelas, romances, contos são textos basicamente narrativos.

São os seguintes os elementos de uma narração:

1) Narrador

É aquele que narra, conta o que se passa supostamente aos seus olhos. Quando participa da história, é chamado de narrador-personagem. Então a narrativa fica, normalmente, em 1ª pessoa.

2) Personagens

São os elementos, usualmente pessoas, que participam da história. Mas os personagens podem ser coisas ou animais, como no romance O Trigo e o Joio, de Fernando Namora, em que o personagem principal, isto é, protagonista, é uma burra.

3) Enredo

É a história propriamente dita, a trama desenvolvida em torno dos personagens.

4) Tempo

O momento em que a história se passa. Pode ser presente, passado ou futuro.

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5) Ambiente

O lugar em que a trama se desenvolve. Pode, naturalmente, variar muito, no desenrolar da narrativa. Eis, a seguir, um bom exemplo de texto narrativo, em que todos os elementos se fazem presentes.

“Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua casa para pensar no passado. E no seu pensamento como que ouvia o vento de outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste para o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contragosto do pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se estabelecera com uma pequena venda.”

(Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento)

O trecho do grande romance de Érico Veríssimo está situado no tempo (81), faz menção a lugares onde a trama se desenvolve e apresenta personagens, como Ana Terra e Seu Maneco. E, é claro, alguém está contando: é o narrador da história.

Veja mais um exemplo de narração, agora com o narrador-personagem.

“Hoje estive na loja de Seu Chamun, uma tristeza. Poeira e cisco por toda parte, qualquer dia vira monturo. Os dois empregados do meu tempo foram embora, não sei se dispensados, e o dono não tem disposição para limpar.”

(José J. Veiga, Sombras de Reis Barbudos)

Principais características da descrição

miniatura-A construção do parágrafo dissertativoUm texto se diz descritivo quando tem por base o objeto, a coisa, a pessoa. Mostra detalhes, que podem ser físicos, morais, emocionais, espirituais. Nota-se que a intenção é realmente descrever, daí a palavra descrição. Veja o exemplo abaixo:

“Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.”

(José de Alencar, Iracema)

Uma característica marcante da descrição é a forte adjetivação que leva o leitor a visualizar o ser descrito. No trecho em estudo, o homem visto por Iracema é branco, tem olhos tristes (veja que bela hipálage criou o autor: azul triste em vez de olhos tristes); as águas são profundas, e os tecidos e armas, ignotos, ou seja, desconhecidos. Observe como a palavra todo revela a perplexidade do guerreiro, extático a observar a jovem índia à sua frente.

Veja, agora, outro exemplo de trecho descritivo, na realidade uma autodescrição.

“Meus cabelos eram muito bonitos, dum negro quente, acastanhado nos reflexos. Caíam pelos meus ombros em cachos gordos, com ritmos pesados de molas de espiral.”

(Mário de Andrade, Tempo da Camisolinha)

Proposta de redação – Entrevista

Para esta atividade, você deverá gravar uma conversa (pode ser entre seus colegas, seus familiares, uma mesa-redonda, entrevista - nesse caso, você pode ser o entrevistador ou gravar do rádio ou da televisão).

Em seguida, faça a transcrição literal da entrevista e analise os turnos de fala, palavras empregadas para "roubar" o turno de fala, marcas de oralidade, frases quebradas, incompletas. Mãos à obra.

"Na volta do cemitério, vovô subiu uma última vez ao sótão, só o tempo de retirar uma caixa de sapatos que, ao descer, entregou a mamãe com algumas palavras de explicação. [...]
Dentro havia fotografias, cartões-postais, cartas, um broche e dois cadernos. A letra do mais estragado deles, caprichada no começo, ia piorando à medida que se viravam as páginas, até ficar no fim quase ilegível, algumas notas arremessadas que se diluíam no branco das últimas folhas virgens."

ROUAUD, Jean. Os campos de honra.

O fragmento transcrito é parte da história de uma família contada por um narrador que "vasculha a memória, buscando, encontrar um sentido para a existência e decifrar um enigma cuja chave pode simplesmente estar guardada numa caixa escondida no sótão".

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Instruções gerais

  • Sua narrativa deverá ser em primeira pessoa.
  • O episódio narrado deverá estar centrado em pelo menos um dos objetos guardados na caixa de sapatos (fotografias, cartões-postais, cartas, um broche, dois cadernos).
  • Sua narração deverá apresentar trecho (s) em discurso direto e trecho(s) em discurso indireto.
  • Procure dar voz aos personagens ou, por meio de citações, a pessoas da família que não participam diretamente das ações.
  • Crie passagens com estrutura do discurso direto, outras com estrutura de discurso indireto e discurso indireto livre.

Recomendações para a escrita de textos dissertativos

Estas são algumas das dicas que do para meus alunos quando começamos as aulas de produção de textos e, às vezes, retomo durante as aulas mostrando exemplos em seus próprios textos. Vale a dica para todo mundo que deseja escrever corretamente e com qualidade.

Dicas de escrita para a dissertação

  • Ao produzir seus textos, prefira frases curtas. Períodos longos causam perda de foco. Entretanto, evite escrever frases curtas demais, pois o texto poderá apresentar outra falha, a da falta de ligação entre as frases e as ideias.
  • Evite sequência de palavras iniciadas ou terminadas pela mesma vogal, consoante, enfim, pelo mesmo som.

Primeiramente um paciente é socorrido por um atendente, que geralmente chama um médico.

Nesse caso," é melhor dizer: Com frequência, um paciente é socorrido por um auxiliar que, em geral, chama um médico.

  • Seu parágrafo inicial não deve começar com pois, já que não se explica ou se conclui nada no início de um texto, mas apenas no processo argumentativo. Deve-se, primeiro, situar o problema.
  • Não use onde indiscriminadamente. Essa palavra deve ser usada apenas quando se faz referência a lugar.

Estive em João Pessoa, onde nasci.

Se você for tentado a usar onde sem se referir a lugar, prefira em que, como em:

São concretas e suficientes as provas em que ela se fundamenta.

Também não confunda onde com quando, como em:

Nasci nos anos 70, onde houve a crise do petróleo.

O correto é:

Nasci nos anos 70, quando houve a crise do petróleo.

  • Jamais empregue aspas, travessões, parênteses, exclamações, reticências sem critério e abundantemente, como em:

Será possível que não exista alguém honesto (ético) que possa, sem dúvida nenhuma, "ser a nossa voz", ainda que com risco de ser criticado?! Procuremos esse candidato!

  • Não apresente generalizações que evidenciem a falta de reflexão:

Todo menor de rua é um futuro ladrão. Políticos são corruptos. Toda mulher dirige mal.

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Como fazer uma boa narração [tutorial]

banner-curso-portugues-pra-passarÉ bastante comum os estudos das técnicas de redação começarem pela narração. O motivo é sermos acostumados a fazer este tipo de texto o tempo todo desde a infância. Contamos histórias desde que conhecemos as primeiras letras. Mas escrever narrativas vai além da simples exposição dos fatos. A narração é um modo de organização de texto cujo conteúdo está vinculado, em geral, às ações ou aos acontecimentos contados por um narrador.

Já foram apresentadas na plataforma do meu curso algumas noções sobre o texto narrativo, mas há ainda muito a comentar sobre esse modo de organização do discurso, como os elementos da narrativa e o foco narrativo. Para construir um bom texto narrativo, é preciso explorar os elementos da narrativa: enredo, personagem, espaço, tempo.

Gênero textual – Cartão postal

O cartão-postal é um dos diversos gêneros textuais usados no cotidiano com diferentes finalidades, assim como o cartão, o bilhete, o convite, o telegrama, a carta pessoal ou familiar, o e-mail.
Nesses textos cotidianos, há o remetente, aquele que envia a mensagem, e o destinatário, aquele que recebe a mensagem enviada.

A linguagem varia conforme a situação estabelecida entre os interlocutores. A linguagem formal segue a norma culta e é usada em situações formais, como uma entrevista para obter um emprego. A linguagem informal apresenta uma estrutura mais solta, em que é possível usar até mesmo gírias e repetições, e é usada em situações informais, como um diálogo entre amigos.

A língua oral pode ser formal ou informal, dependendo do contexto em que se dá a comunicação. Um telejornal, por exemplo, em geral apresenta linguagem formal. Já a narração de um jogo de futebol ou de corrida de automobilismo apresenta linguagem informal.

O cartão-postal é normalmente usado por turistas que, para expressar suas impressões sobre o lugar onde estão, enviam uma mensagem curta a familiares ou amigos.

Na frente do postal, pode haver uma ou mais imagens do(s) lugar(es) turístico(s), para que se tenha uma ideia do local visitado. No verso do postal, coloca-se o endereço do destinatário e a breve mensagem, iniciada pelo vocativo ("Querido Lucas"). Segue-se um curto relato sobre os passeios realizados ou novas experiências vividas. No final, devem constar a assinatura do remetente ("Sua mãe, Ana") e a data.

Convites para lançamentos de livros, aberturas de exposições de arte, promoção de produtos, inauguração de grandes estabelecimentos comerciais, etc. também podem ter a forma de um cartão-postal. É comum, nesses casos, colocar na frente do postal uma ilustração alusiva ao acontecimento ou produto anunciado. Por exemplo, a imagem de uma peça de roupa, de uma obra de arte, a capa de um livro, etc.

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Leia as propostas de produção de textos e escolha uma delas.

1ª proposta

Imagine que você foi passar as férias na casa de um(a) amigo(a). O lugar é bem diferente de onde você mora.

Redija esse cartão-postal para um familiar ou amigo(a), contando os encantos turísticos do local. Comente também sobre as pessoas que você conheceu.
Troque seu texto com um(a) colega. Leia o texto escrito por ele(a) e faça sugestões, por escrito, se achar necessário. Verifique se ele(a) colocou o nome e o endereço do remetente e do destinatário.

2ª proposta

Recorte uma imagem da sua cidade e cole na frente do cartão-postal. No verso, descreva as belezas naturais e os lugares interessantes para se conhecer.

Troque seu texto com um(a) colega. Leia o texto escrito por ele(a) e faça sugestões, por escrito, se achar necessário. Verifique se ele(a) colocou o nome e o endereço do remetente e do destinatário.

Proposta de redação - Narrativa

O texto que você encontra logo abaixo deve ser cuidadosamente lido, uma vez que nele se apoiará a redação a ser feita:

O Gesso

Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
Quantas vezes vi esses olhos rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia; e, mais que todos, aquele que mais obstinada, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor e toda a paixão tumultuaria da vida - todos nós morremos um pouco na sua ausência.
Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante - ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu ao lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e
regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
Mas à noite, quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera — imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(Rubem Braga - fevereiro de 1955)

Instruções:

Depois de ler atentamente o texto do cronista Rubem Braga:

1.   Considere um a um os elementos constantes nele.

2.   Sublinhe aqueles que são fundamentais e indicativos do elo que ligou o narrador à personagem.

3.  Use foco narrativo em terceira pessoa, com narrador onisciente.

4.  O narrador do texto acima e a mulher que posou para o escultor devem, obrigatoriamente, ser as personagens centrais de sua história.

5.   De sua narrativa deve fazer parte o conflito que gerou a situação de solidão do narrador da crônica.

6.   O texto que você fará deverá, obrigatoriamente, revelar a solução do conflito.

7.   Dê um bom título à sua redação; ele deverá estar ligado ao desfecho proposto por você.

8.   Lembre-se da questão da verossimilhança, planeje o seu texto com esta circunstância presente.

9.   Caso seja possível, introduza o discurso indireto livre e movimente seu texto no tempo acronológico.

Quais os dois tipos de verossimilhança?

Neste artigo veremos a diferença entre verossimilhança interna e verossimilhança externa. Gosto de dizer para os alunos que precisamos atentar para isso para que nosso textos tenham credibilidade. Claro que, guardadas as devidas correções, nossos textos precisam refletir a realidade. Vejamos então os dois tipos de verossimilhança.

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A verossimilhança externa

É tudo quanto, na criação, aproxime seu texto do plausível, do que realmente pode acontecer no mundo

com os seres. Ela aproxima a sua narrativa de uma, digamos, respeitabilidade. Quem o ler associa os fatos, personagens, tempo e espaço ao real-real.

Para que isso ocorra, você terá que se valer do plausível; ao descrever um ser qualquer, fará com que se pareça com qualquer criatura que qualquer um de nós pode identificar rapidamente.
Obvio que você poderá também, e se quiser, criar uma personagem não familiar, num universo de ficção científica: um marciano verde, que fala com o som de um grilo cantando, tem cabelos verdes, duas antenas cor de laranja, mede 2m 50 e os olhos são duas micro telas de computador. Mas há de compreender que isso é inverossímil.

A verossimilhança interna

Está relacionada ao segundo texto que lemos. Embora aquilo não seja possível no cotidiano, é bom lembrar que, internamente, as ações se encadeiam de modo a formar um todo. Dentro do enredo de Millor cabe até um corcunda saído não se sabe de onde, uma sogra que é meio bicho e meio gente e uma amante que, vindo morar junto com a mulher e os filhos do homem amado(?), ainda traz como companhia um filho adotivo!

Embora isso, externamente, com relação ao mundo habitado por nós, seja louco demais, com relação à ordenação interna da obra é perfeitamente plausível.

Além disso, é bom lembrar, ainda, que a verossimilhança existe no contexto da história que se está criando. Por exemplo: se você estiver contando um fato como no texto 1 e se arriscar a colocar um marciano no meio que salva o deputado e o leva num disco voador para Júpiter, corre o risco de quebrar a verossimilhança interna da redação e fazer seu texto despencar na credibilidade que pudesse ter.

Fatos dito "estranhos" podem ocorrer nas narrativas, quebrar-lhes o fluxo de continuidade; a isso, chamamos "estranhamento" ou "novidade" e é o que ocorre naquilo que denominamos realismo fantástico. Para exemplificar isso, observe o que acontece em Jangada de Pedra, de José Saramago: um dia, ao riscar o chão com uma vara de negrilho, Joana Carda abre no chão uma fenda que, a partir daquele momento, crescerá tanto a ponto de afastar a Península Ibérica de toda a Europa. Portugal e Espanha transformar-se-ão numa grande "jangada de pedra" e flutuarão, livres, no oceano. É o realismo mágico ou fantástico.

Um outro exemplo de estranhamento é o que Érico Veríssimo conta em seu Incidente em Antares: uma cidade pacata tem sete mortos num dia, em plena greve geral, da qual também participam os coveiros. Não são enterrados e, deixados pela família e amigos diante do portão do cemitério, à espera de que acabe a greve no outro dia, levantam-se no meio da noite e se dirigem a Antares, onde, no coreto da praça, "lavarão a roupa suja" de toda a comunidade.